quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Considerações finais

Chegada ao fim a viagem é olhar o que restou, dores por todo corpo e um sentimento de realização pessoal indescritivel, pensar que pouco tempo atras tudo era um plano cheio de incertezas e riscos e hoje era uma aventura a contar para todos e para levar para o resto da vida.

A Fat que resistiu bravamente a essa loucura foi para a revisão, bateria, rolamentos, oleo, pneu... reconstrução total e está zero novamente me dando toda confiança de se quiser na semana que vem seguir, cruzar os Andes e ir a Cuzco com ela.. mas isso é um plano cheio de incertezas e riscos... quem sabe amanha não é mais uma aventura para contar a todos !

Segue a foto do pneu como ficou !



Valew !!!

Chegando em casa !!!!

Dores nos ombros, mãos e pernas, muitos KM, acordar e pensar que a noite iria dormir na minha cama foi uma grande motivação. Café da manhã e vamos embora, novamente a FAT não pega, pelo visto estavamos ambos sofrendo com os km nas nossas costas. Desta vez o dono do hotel me ajudou e rapidamente eu estava na rua.

Voltando a rodovia segui firme até mais uma vez em uma bobagem deixar a moto morrer em um pedágio ( É começou a historia do pagar pedágio ), por sorte estava uma caminhonete de socorro que me ajudou rapidamente estava de volta a rodar.

Um fato legal deste dia foi de, em um pedagio, avistar um caminhão que já havia ultrapassado no Rio Grande do Norte, reconheci pois estava sujo e com as inscrições João Pessoa 2010 na sujeira. Assim que passei por ele eu buzinei e ele aparentemente tb me reconheceu, buzinou, deu luz, um momento legal, amigos que não conhecemos mas que fazemos na estrada.

No meio do caminho para Niteroi eu avisto um moto vindo comigo, uma CB 400, acelerei um pouco para ver se estava me acompanhando mesmo e ele veio junto, em outro pedagio ele chegou do meu lado, um amigo do CBzeiros do Brasil, seguimos juntos até Niteroi parando para tirar uma foto de recordação, mais um amigo de estrada.

Passando Niteroi segui para São Paulo, parando para abastecer sem desligar a moto afinal ela já não pegava mais e com isso meu almoço não rolou, segui direto e toda pressão passou ao cruzar para dentro do estado de São Paulo, enfim em casa.

Quando pensava que tudo seguiria bem, a roda dianteira começa com um barulho muito forte de ferro, parei para olhar e meu rolamento dianteiro estava destruido, oleo na roda e tudo. O correto seria parar e chamar um guincho, tenho seguro e não haveria problema, porém faltavam só 400 km havia dado a volta no pais e desistiria agora. NÃO, segui rodando não podia passar de 100 km/h que o barulho piorava e nào podia rodar a menos de 80 km/h que piorava, a 90 km/h ia bem quase sem barulho e foi isso que fiz, segui até em casa assim.

Passando por Aparecida eu olhei a catedral e pedi que me deixassem chegar, haviamos lutado tanto, mereciamos isso. Nossa preçe foi ouvida e a Fat aguentou bravamente inclusive fazendo incriveis 22 km/l, chegamos no portão de casa, 8200 km mais felizes, muitas fotos, muitas histórias e uma missão cumprida.

Ai foi a vez de descarregar a moto pela ultima vez, tirar a roupa pela ultima vez e finalmente um banho em casa e uma noite bem dormida na minha cama.










Teixeira de Freitas - BA / Macaé - RJ

Acordei motivado, conseguiria chegar no RJ, café rapido pra sair cedo, corre pra arrumar a moto.. vou sair... nada.. sem partida, bateria Zero.

Fui pedir ajuda no hotel mas sem sucesso porem na praça em frente ao hotel haviam uns taxistas e um deles tinha um cabo de chupeta. Empurrei a moto até a praça, desmontei inteira, virou atração da cidade, conseguimos fazer a moto pegar, regulei a lenta dela meio alta para num morrer ( minha fat é injetada mas tem o Lentador )e foi quando montando a moto, outra revelação, um dos curiosos me diz que meu pneu traseiro esta gasto, no arame, fui olhar e estava mesmo.

Eu havia trocado meu pneu para viajar, quando sai para a viagem ele não tinha mil km contudo acredito que pelas altas temperaturas e por rodar muitos km por dia a durabilidade do mesmo foi comprometida.

Agora tinha 2 problemas, a moto sem partida e o pneu no Arame e eu no inteior da Bahia tendo que chegar em Sp, ai pensei, se chego no rj eu arrumo um pneu e uma bateria.

Entrei no estado do Espirito Santo, SIM DE VOLTA AO SUDESTE, e segui parando para tirar uma foto de uma montanha que me disseram ser um padre catequisando um indio, eu vi uma mão saindo do chão mas cada um ve o que quer.

Na saida estava cauteloso, cuidando para a moto não morrer e preocupado com o pneu, segui até 14hs como de costume, abastecer e comer... onde em um vacilo deixo a moto morrer, discredulo de tamanha incompetencia fui comer tranquilo, na volta já abastecidos eu e a FAT tento dar a partida e ela pegou normal, lindo, segui viagem achando que eu podia ter esquecido algo ligado a noite ou sei lá, o importante é estar de volta.

A cautela acabou, voltei a andar forte porém não o suficente para chegar ao Rio de Janeiro, Vitória já havia passado a algum tempo começava a escurecer, faltavam 160 km para o Rio e eu com um pneu no arame, neste ponto a consiencia falou mais alto e escolhi dormir por ali, fiquei em Macaé, consegui um hotel ao lado da prefeitura com garagem, perfeito, chequei a moto depois de desligar e fui pro quarto.

Banho, McDonalds e cama, neste ponto minhas mãos não fechavam mais completamente sem dor, com muita dor encostava a ponta dos dedos na palma da mão, mas tudo bem, dava para rodar.. estava chegando.

Seguem fotos:



Salvador - Teixeira de Freitas - BA

Acordamos cedo, tomamos café e logo me despedi do meu pai, ele foi trabalhar e eu pegar estrada, tinha que decidir passar em Feira de Santana ou ir de Ferry Boat, escolhi o Ferry pois ganharia uns 200 km que poderia significar pernoitar em Vitória - ES ao invez de alguma cidade no caminho pois tinha um almoço de amigos no Rio de Janeiro em 2 dias e para estar lá nesta data precisava chegar em Vitória.

Tentei chegar ao Ferry, pedi informações e cada um me mandou para um lado, devido a algumas obras meu GPS ficou inutil pois o caminho principal a seguir estava bloqueado, resultando que cheguei a Ferry exatos 10 min depois de sair o barco, o proximo só em 1hs30. Nem stress, encostei a moto, e esperei, dormi, tomei um lanche até que peguei o ferry... e dormi de novo ao lado da moto.

Com o Ferry quase chegando acordei e conversei com um povo de moto, conversas e o famoso "Vc é louco de fazer isso e ainda mais sozinho". Segui viagem tranquila até o anoitecer, faltam longos KM até Vitória então desisti de chegar lá e escolhi uma cidade para dormir, entrei em Teixeira de Freitas, achei um hotel bom e na frente uma feirinha.

Banho tomado, comi um Yahisoba na feirinha e bora dormir que o dia foi cansativo.

Seguem as poucas fotos deste trecho.





Recife - Salvador

Mais uma alteração na programação, iria ver meu pai em Aracaju porém na data que eu estava viajando ele estaria em Salvador, portanto alterando o cronograma e indo direto a Salvador.

Esta viagem foi cheia de mudanças, a queda de uma ponte fechou a estrada todo trafego foi alterado para estradas menores onde nem preciso dizer que ficou impossivel ultrapassar os caminhões e manter um ritmo de viagem porém isso acabou se tornando um motivo de alegria pois tive a oportunidade de passar por União dos Palmares, terra de Zumbi, oportunidade que eu não teria seguindo pela estrada principal.

Quando se vai longe assim a vontade é de ter muito mais tempo, vc vai vendo placas com cidades normalmente tão distantes e agora tão proximas mas que não será desta vez que vc vai conhecer. Caruaru, Garanhuns, um dia eu volto e conheço vcs.

A policia rodoviaria se mostrou muito amigavel também durante a viagem, nos postos que parei principalmente na região da mata todos foram muito atenciosos e é isso que precisamos, de uma policia que seja em prol da população.

Seguindo cruzando os estados ganhei um presente um pouco antes da Ponte do Rio São Francisco que dá acesso a Sergipe, um buraco gigante que num tive como desviar, para ajudar, antigos trilhos de trem expostos na pista fazendo a moto após o buraco cair diretamente sobre eles me dando a impressão que havia quebrado minha roda traseira.

Com as pernas bambas e pensando que teria acabado minha viagem, parei em um posto logo depois da ponte, olhei a moto, minha roda inteira... não aguentei.. beijei a moto, causando risos dos turistas gauchos que ali estavam tirando fotos do Velho Chico. Aproveitei e pedi para tirarem uma foto minha pois até então por estar sozinho a gorda aparecia sozinha nas fotos.


Cruzando Sergipe e passando a entrada de Aracaju e continuo reto descendo rumo a Salvador, com a opção de descer pela linha verde, que passa pelos resorts, uma estrada muito boa porém sinalizada com o risco de existirem animais silvestres na pista, coisa que por sorte não presenciei muito nas estradas mas sempre fui alertado pelos caminhoneiros, infelizmente estão soltando os Jegues e eles ficam rodando e muitas vezes são atropelados nas rodovias causando estragos e perda de vidas.

Pela linha verde já a noite, devido ao atraso na estrada causado pela alteração na rota, observei varios morcegos que cruzavam a pista constantemente e com isso não demorou a acontecer mais uma colisào, desta vez bateu no meu joelho só que ele ficou agarrado na calça, num tive duvida.. rodando mesmo dei um peteleco nele que saiu rolando... mas fazer o que, o medo de tomar uma mordida era maior.

Resultado, cheguei em Salvador 21hs, consegui achar o hotel do meu pai e jantamos juntos. A Salvador eu já havia ido de carro então a sensação era de estar chegando em casa... só mais 2 mil km !

Seguem as fotos, a mais escura é Sergipe / Bahia...








Fortaleza - Recife

Depois de um dia descansando em Fortaleza, segui para Recife em uma puxada boa que não me permitiu passar na cidade de Natal porém tudo seguiu tranquilo, desta vez sem atropelamento de aves e uma media horaria um pouco mais baixa que as anteriores devido ao fluxo de caminhões, estes que se mostraram respeitosos durante todo percurso sempre perguntando onde ia, de onde vinha e dando dicas dos trajetos.

Paradinha em Assu - RN para abastecer e descobrir que no Google Maps ela chama Açu, tirei foto para mostrar a obra de arte na entrada da cidade. Seguindo fui surpreendido por uma chuva na Paraiba, aproveitei a parada para abastecer e esticar um pouco as pernas porém logo seguindo e provando que as roupas de Corduro foram um bom investimento.

Entrando em Pernambuco rapidamente se chega em Recife, onde segui tentando chegar em Boa Viagem, me perdi até um ponto que parei e procurei um hotel proximo no iPhone, achei uma pousada, muito barata porém limpa e com garagem, fica na praia do Pina, se quiser economizar e ir a Recife Hotel Pousada da Praia ( -8.095994,-34.883813 ).

Jantar no McDonalds, banho e cama que a viagem foi longa.

Seguem as fotos:









Teresina - Fortaleza

Segundo dia da volta para casa, sexto dia da viagem, café da manhã tomado, bora acordar o hotel com o ronco da FAT saindo para Fortaleza.

Viagem tranquila com estrada relativamente boa foi facil permanacer rodando nas longas retas a 160 km/h e rapidamente estava com 600 km vencidos e parando para comer as 14hs conforme ritmo da vinda. Tudo seriam flores se novamente um passaro não colidisse comigo, desta vez bem na garganta, essa realmente doeu porém não havia acostamento então foi seguir rodando, se recuperando e rindo esperando que essa fosse a ultima vez.. que infelizmente não foi.

Chegada em Fortaleza, grande avenidas e parei em um posto oara abastecer e tomar um gatorade (Lembre que em viagens longas vc pode ter desidratação e é sempre importante a ingestão de liquidos, cerveja não conta, só piora) foi então que liguei para descobrir onde era a casa da minha tia onde ficaria hospedado e também avisar ela pois não tinha comunicado ninguem que estava chegando. :)

Instruido de depois de descobrir que tava do outro lado de Fortaleza, cheguei a casa deles, muita alegria depois de tanto tempo sem ve-los e logo aquele banho merecido.

Seguem fotos da divisa dos estados, camarão delicioso que me levaram para comer e de um pistão que meu tio guarda... olha onde tá essa valvula.